Tanto quanto a deprimente mas não surpreendente atuação da seleção brasileira no amistoso contra a fraquíssima África do Sul, na sexta-feira, foi a postura do técnico Mano Menezes na entrevista coletiva após o jogo no Morumbi.
Além de fugir das perguntas mais relevantes, como a questão sobre o atual estágio da seleção, quando usou frases de livro de auto-ajuda para se dizer crente no futuro e evitar o presente, o treinador resolveu fazer jus ao seu tradicional jeito professoral com uma pequena aula aos jornalistas brasileiros. O objetivo: nos ensinar a torcer para a equipe.
Mano Menezes afirmou que aceita eventuais críticas, mas deixou bem claro que os jornais e jornalistas brasileiros devem torcer de forma evidente para a seleção brasileira, tomar partido e criar um ambiente positivo. Para o treinador, tal atitude da imprensa é fundamental para a melhora de desempenho do time.
A postura do técnico da seleção é de total inversão de valores. É um acinte. Primeiro, porque ele esquece que uma parcela importante da crônica esportiva brasileira já faz exatamente o que ele pede, infelizmente. E não é bom esquecer dos amigos, dos parceiros. Depois, porque o técnico admite que seus jogadores não têm maturidade suficiente para aguentar pressão. Tem mais: sem ter dado qualquer padrão tático ao time em 25 meses de trabalho, o técnico resolveu recorrer a terceiros para fazer parte do seu trabalho, numa tentativa melancólica de dar motivação a um elenco que hoje está longe dos melhores do mundo.
O objetivo de um jornalista é informar, com isenção, sem bairrismos ou patriotadas, cobrindo clubes ou seleção. É nossa responsabilidade conhecer e estudar o futebol dentro e fora de campo justamente para que as opiniões tenham credibilidade e senso crítico. É lamentável que muitos jornalistas não tenham tal entendimento. Tão lamentável como o atual técnico da seleção brasileira achar que temos que torcer e promover eventos.
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